não costuma ser no verão que se fazem as grandes arrumações.
no entanto, contra o calor que seca a relva e os olhos, deitei fora as histórias que no inverno foram o combustível para a solidão. a fogueira foi grande.
nada de que precise agora, num verão implacável como os do deserto. tão vazia por dentro e os poros tão abertos pelo calor que todos os sons e cores da estação entram e encontram em mim terreno fértil para habitar. mais uma semana ( e isto funciona quase como uma prescrição) e serei só amoras, água translúcida, vento morno e sandálias.